Compartilho com vocês um texto com ponto de vista interessantíssimo, que toma o Programa Reality BBB como pretexto para falar de Consciência. SHOW!
Dia desses, por causa de um almoço que começou tarde, acabei assistindo ao vídeo show/Rede Globo. E como não tinha outra coisa a fazer senão esperar os amigos terminarem a refeição pude prestar atenção numa matéria sobre o BBB 11. Qual não foi a minha surpresa quando passei a entender a lógica de parte do programa! Na ocasião estava sendo reprisada a composição de um paredão. Os leitores que acompanham o programa já sabem como a coisa se dá, mas me deixem descrever aqui, caso eventualmente este texto seja lido por alguém que, como eu, não assiste nem se interessa por esse programa tido como de entretenimento.
A escolha segue algumas regras, entre elas a de que o líder da semana e um tal de anjo não podem integrar o paredão. Eles apenas indicam, como se diz na linguagem do programa, quem, dentre os demais participantes, deve ir para o paredão. Esses, então, votam e são votados. Feita a escolha, o público alçado à posição de carrasco começa a escolha de quem fica e quem sai da casa ou do confinamento como dizem.
Aparentemente, só um jogo! Mas o que há por traz dessa indicação? O que significa mandar alguém para o paredão? Em qualquer lugar do mundo significa fuzilamento. Fiquei estarrecida ao descobrir que convivência íntima e estreita demais para certos padrões de moralidade não impede que os brotheres indiquemsus hermanos para “morte”. As justificativas são sombrias, algo como, “gosto muito de fulano, mas isso é um jogo e nesta semana é ele que vou indicar”, “vou indicar fulano porque ele é um chato”. Ora, na linguagem popular, o primeiro caso seria indicado como “trairagem”, e o segundo como, no mínimo, uma manifestação de esnobismo. Mas no BBB têm passado como algo comum, alimentados pela dramática narração de um ex-ícone do jornalismo brasileiro. O exemplo denuncia o quanto os valores estão relativizados, uma atitude dessas seria incompatível, por exemplo, com a juventude brasileira da década de 70. Em plena ditatura, um amigo que dedurasse outro era socialmente visto como um covarde. Do ponto de vista cristão, então, nem pensar! Nos dois casos, isto não significa dizer que quem assim procede age por covardia, mas por princípio de moralidade. Há uma ética sobre as relações humanas e a vida humana, que nem mesmo num joguinho o outro pode ser mandado para a morte. Subliminarmente o programa oferece um excelente treinamento para banalização da vida. Para ganhar 1,5 milhão de reais, a fama e o estrelado ou coisa que o valha, não interessa quantos são mandados para a “morte”.
Pior que o desvirtuamento da noção de brother, é a dose generosa de anestesia de consciência oferecida em pelo programa logo depois da formação do paredão, e todos a tomam de bom grado (mas, todos mesmo, inclusive o público que paga extra para assistir). Após a tensa indicação dos brothers que vão para o fuzilamento público, após um dia de reflexões mudas ou articuladas pelos cantos da casa, os confinados (como gado antes de ir para o matadouro) têm direito a uma festa de arromba. Isso mesmo! Indicar alguém para morte não tem problema, por que depois há numa big festa para relaxar, especialmente programada para fazer esquecer que alguém da convivência íntima vai “morrer”.
Ora, amigos, na Alemanha hitlerista também era assim: cidadão manipulados deduravam judeus, amigos seus até, e depois iam ao teatro patrocinado pelo governo. Ou seja, o BBB mudou o formato, mas reeditou a anestesia de consciência e intensificou o treinamento para o individualismo. Não dá para compactuar, nem assistir se o nosso lado da história é o da valorização da vida.
Denise Lino - Prof. Doutora do curso de Letras da UFCG
Disponível em :http://www.campinaespirita.net/
obrigado professora, me mostrou um lado que eu ainda não tinha percebido sobre o BBB
ResponderExcluirIan 1º ano A